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Crônica de uma fuga anunciada

Acompanhando as notícias divulgadas pelos meios de comunicação no Paraguai, relacionadas à fuga de presos, supostamente ligados ao PCC, e os comentários nas redes sociais, é possível constatar a indignação da maioria dos paraguaios diante da situação. Sei que estou “falando de fora”, mas o povo do Paraguai não merece isso.

Domingo (19)

Pelo menos 75 presos, a maior parte integrante do PCC, fogem da Penitenciária de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, supostamente por um túnel.

Ninguém ouviu nada, nem percebeu os cerca de 200 sacos de terra em uma das celas da penitenciária.

Logo depois a informação muda. A maioria dos presos teria saído pela porta da frente da cadeia.

A imprensa recordou que em dezembro do ano passado, a ministra da Justiça do Paraguai, Cecilia Pérez, afirmou que tomou conhecimento de um suposto plano de fuga de integrantes do PCC. De acordo com as informações repassadas, US$ 80 mil estariam sendo oferecidos para policiais que ajudassem no plano.

Na mesma época, a Ministra informou que a cobertura policial e militar estava sendo reforçada na cadeia, justamente para evitar tentativas de fuga.

Após a fuga, o prefeito de Pedro Juan Caballero, José Carlos Acevedo, questionou a atuação dos militares que supostamente resguardavam a Penitenciária e disse que o tanque de guerra, estacionado em frente ao presídio, era um objeto de decoração.

O ministro de Defesa, Bernardino Soto Estigarribia, defendeu os militares e falou que eles eram responsáveis apenas pela segurança no perímetro da penitenciária. O posto de vigilância dos militares estava a 100 metros do túnel, e… mais uma vez, ninguém percebeu nada.

Ainda no domingo, uma lista com fotos e nomes dos foragidos foi divulgada para a imprensa.

Segunda-feira (20)

Dois homens denunciaram que tiveram os nomes incluídos na lista, erroneamente. A chefe de Relações Públicas da Polícia Nacional admitiu o erro, mas o estrago já tinha sido feito.

Na sequência, María Elena Andrada, confirmou que a penitenciária não possui todos os registros fotográficos dos presos e disse que a lista de foragidos pode aumentar.

Trinta e dois funcionários, responsáveis pela segurança da penitenciária, foram detidos e chamados para dar explicações, mas preferiram ficar calados.  Agora o Ministério Público do Paraguai avalia se pedirá ou não a prisão preventiva deles.

Até este momento, pelo menos três presos foram recapturados. Um deles, pela polícia brasileira.

Ainda nesta segunda-feira, o vice-ministro de Política Criminal, Hugo Volpe, renunciou ao cargo, após ser denunciado pela justiça brasileira que o vinculou a um esquema de corrupção. De acordo com os jornais do Paraguai, a investigação não está relacionada à fuga da penitenciária de Pedro Juan Caballero.

Parece ficção, mas infelizmente não é. E novos capítulos virão, até que seja revelado quem financiou a fuga, quem planejou e quem lucrou com tudo isso.

(Cris Loose)

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