Sem categoria

Foz do Iguaçu: destino saudável do mundo

Como a cidade pode melhorar com a epidemia de Coronavírus

De acordo com dados do Ministério da Saúde (*), no ano passado o Brasil registrou 39.190 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), ou seja,  quase  40.000 pessoas tiveram os pulmões fortemente agredidos por vírus. Deste total, quase 5.000 morreram. Entre as vítimas, 1.000 foram contagiadas por um velho conhecido nosso : o vírus da gripe H1N1. Outras 267 faleceram devido à ação de um vírus menos famoso, mas muito comum entre nós chamado vírus sincicial respiratório (VSR).

Ou seja: só no ano passado, 411 pessoas morrem em média por mês no Brasil devido a infecções por vírus diversos de transmissão respiratória. A maioria delas foi vítima de gripe, doença que pode ser prevenida com uma vacina gratuita e disponível pelo SUS.

Mas quase não se falou sobre isso e estas mortes não viraram manchete nos jornais.  

Agora um novo vírus aparece na China, faz adoecer mais de 4.000 pessoas e mata 106  no período de um mês. O que vemos? Manchete em todos os jornais mundiais e histeria coletiva.

Estamos corretos ao achar que o Coronavírus é mais importante que o vírus da Gripe?

Pode ser que sim. Pode ser que não. Nem o Coronavírus é esse vilão todo e nem o vírus da Gripe e outros vírus de transmissão por via respiratória são tão inofensivos assim.

Uma cidade turística como Foz do Iguaçu, onde vivem pessoas de 82 etnias, deveria estar em atenção permanente, já que somos uma porta aberta para que tais vírus cheguem até aqui e  se disseminem. Sejam novos ou velhos conhecidos, os vírus transmitidos por meio da tosse, espirros ou  muco nasal, são um problema permanente que precisa ser encarado de forma mais efetiva para proteger tanto os moradores quanto os visitantes.

Nesse contexto, a epidemia do novo Coronavírus pode ser uma grande oportunidade para mudarmos de forma positiva a nossa atitude frente às doenças.  

E como fazer isso? Com prevenção, por meio de medidas muito simples de higiene e de cuidado de contato como:

 – higienização das mãos com água e sabão ou álcool-gel após tossir, espirrar,tocar em superfícies e após se alimentar ou usar o banheiro;

– disponibilizar álcool-gel de boa qualidade para uso da população nos locais turísticos ou estabelecimentos de alta circulação de pessoas, como aeroportos, rodoviárias etc…;

– usar máscaras, no caso de  apresentar algum sintoma respiratório;

– disponibilizar máscaras para pessoas com sintomas ou que sejam mais vulneráveis a infecções (gestantes, idosos, transplantados, pessoas com câncer etc…); e

– educar a população de forma continuada para que tais atitudes sejm adotadas e mantidas permanentemente.

Pode até parecer estranho adotar essas atitudes, mas se bem conduzida, uma campanha assim criaria um novo parâmetro de cortesia e gentileza em nossa cidade. Além de nos proteger, evitaríamos que o outro adoecesse.

Referência: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/dezembro/23/Boletim-epidemiologico-SVS-38-2-interativo.pdf

(Foto: arquivo pessoal)

Flávia Trench

Infectologista formada pela UEL, Mestre em Doenças infecciosas e parasitárias pela USP e Docente da Medicina da UNILA.

Contato: trench@unila.edu.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *