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A chuva, o “cara chata” e o Diamante Negro!

“Coisas e causos de Foz”

(Foto: Pixabay)

Ano provável: 1963

Vinha um português, de Campinas, com o seu caminhão Mercedes-Benz “cara chata”, vender e entregar doces aqui na fronteira. No para-choque, grafado em letras garrafais:  “DESCULPE A POEIRA, CHEGOU CAMPINEIRA”, fazendo alusão às estradas e às ruas por onde passava.

Seo Manoel era o cunhado do dono da “Doces Campineira”. Era homem de confiança. Vendedor, cobrador, motorista tudo ao mesmo tempo. E assim percorria o país inteiro.

Num dia de chuva, ele precisou subir para os lados da “Vila do Sossego”, também conhecida como Vila Eurides. Aguardou no boteco do “meu véio” até passar o aguaceiro.

Só que depois da chuva… a poeira deu lugar à lama e era aí  que começava a diversão da molecada:  ver os carros e os caminhões patinando pelo bairro M’Boicy inteiro. Pensa numa alegria!

Seo Manoel colocou correntes no rodado traseiro do caminhão e se despediu. Ele não voltaria para “os nossos lados” tão cedo.

Subiu no caminhão e se dirigiu pra a “Vila do Sossego”. Entrou na lateral da “Casa Leli” e pegou a rua que hoje é chamada de Avenida Paraná.  

Sobre o rio M’Boicy tinha uma ponte de madeira, até nova, mas não era tão larga. Ele embalou porque na sequência tinha (e ainda tem) a subida da avenida, mas… acabou se perdendo na cabeceira da ponte e o caminhão tombou dentro do Rio M’Boicy.  

Com o acidente, a porta do furgão se abriu e as caixas de doces começaram a boiar rio abaixo. A molecada? Ah… saiu correndo e catando as caixas.

Enquanto a meninada se divertia, o portuga, desolado, chorava o capotamento!

Os fundos da “Casa Mineira”, “davam” no rio (bem onde está hoje o Muffato M’Boicy) e o Lindomar Zambrycki teve mais sorte que muito de nós, pois ele conseguiu “catar” umas caixas de chocolates recém comercializadas por aqui, um tal de Diamante Negro, tabletes pequenos. Novidade na época.

Até hoje, quando vejo um Diamante Negro, lembro daquele dia.  

Andrés Cândia, com Betinho Holler, Darlei dos Santos e Lindomar Zambrycki

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