Sem categoria

Quando “o olheiro e o boleiro” deram errado!

“Coisas e Causos de Foz”

(Imagem: Andres Cândia/Gentileza)

No final da década de 1960, começo de 1970, chegou um caminhão de mudança, na rua de casa, a Raul de Matos, na Vila Yolanda. Era um casal com o caminhão que transportou a mudança. O caminhão, um “Ford F8 Big Job” (procurem a imagem no Google!), pertencia ao casal.

Naquele sábado, dois ou três dias após a mudança, estava eu lavando a “Rural”, quando vejo na esquina, um camarada de calção preto, chinelos de dedo e uma camiseta do Botafogo. Era o “nego Afrânio”, novo morador da rua. E com um detalhe, era cheio de gingado, apesar da canela fina. Não tinha como errar: era boleiro!

Fui conversar com ele e perguntei se jogava bola. Na lata ele respondeu: “Brinco um pouco, nada de muito sério!”

Na hora pensei comigo: “Esse é o cara!”

Disse a ele que todos os domingos, ou quase todos, íamos para o interior do município, participar de “torneios”. Ele topou na hora e colocou o caminhão à disposição da “turma”. Ou seja, além dos caminhões dos “Irmãos Faifa”, a gente podia contar com o caminhão do “nego Afrânio”.

Na mesma noite avisei todo mundo que tinha mudado pra rua de casa um jogador e que eu convidara pra estar conosco no outro dia e tal….

No domingo cedo, ele parou com o caminhão na esquina de casa, deu uma buzinada e desci com ele para o “BAR AMARELINHO” que era onde nos reuníamos para o “embarque”. Apresentei o novo jogador para a turma, todos gostaram muito dele (o cara era bom de papo) e logo ele ficou amigo do pessoal.

Afrânio me contou que nasceu em Lavras de Mangabeira, no Ceará, mas morava no Paraná havia muito tempo. Dizia que veio de Curitiba, cidade pra onde voltou, se aposentou pela Ferroviária e morreu.

Mas eis que naquele domingo, Afrânio estreou no M’Boicy!

E não é que ele era ruim de bola?  Era pior que eu… bêbado!!! Pensa!

Mas e daí? Como contar ao amigo que ele que tinha sido um fiasco?

Nunca contei. Mas acho que ele foi aos poucos se dando conta que o mundo da bola não era pra ele. Nesse mesmo tempo me toquei que, como olheiro, eu era igual a ele no gramado!

Apesar disso, ele era amigo. Muito amigo! Meu e de todos! No fim das contas, ía para os torneios só pra levar a turma e se divertir.

Num certo domingo não fomos jogar e partimos para as Cataratas. Naquela época, fazia parte do passeio fazer um churrasco atrás do hoje  “Porto Canoas”, onde era o bar do  sogro do Mauro, pai da Isabel. (Outro dia falo mais sobre eles)

Antes e depois do almoço, pescávamos nas escadarias do bar e quando o Rio Iguaçu estava baixo, íamos por cima das pedras, até a Garganta do Diabo, a “cachoeira maior”.

Naquele dia, ao voltar da “cachoeira maior”, o Afrânio escorregou numa das Pedras e começou a gritar apavorado, porque não sabia nadar! Pensa no desespero! Mas conseguimos puxar o “cabra” para fora da água.

Além de não saber jogar bola, naquele domingo descobrimos que ele também… não sabia nadar! Mas… no final das contas nos salvamos todos de mais um passeio nas Cataratas.

Andrés Candia com Mauro Alves dos Santos, Betinho Holler, Darlei dos Santos e Maeli Chibiaque.

2 comentários
  1. jose fernando moleda - MOLEDONA

    …é uma boa viagem ao passado glorioso de nossas vidas vividas na Foz antiga…divirto-me lembrando de pequenos e vibrantes detalhes, sou neto da 1.parteira de Foz, sobrinho-Neto da estimada doña Porota, 1.hoteleira-pensionista das três fronteiras, na Pensão Porota, moravam nos anos 50, 60 e picos, os chefes da PF, da RF, major e capitão do 1.BEFRON, além dos exportadores ilegais de café pela balsa do tio Gari, e dos importadores de mercadorias da Casa Ramirez Hermanos, Foz nem ponte tinha, era de barco no muque e a balsa na barrancas do Paranazão pertinho da Marinha…saudades…
    JFMoleda da república de Curitiba

  2. Roberto Sampaio da Costa Barros

    Fui juiz de direito unico no ano de 1976/77 e permaneci no ano de 1984 epoca da ditadura militar e o prefeito interventor Clovis CunhA Viana e deixamos muitos amigos. Hj tenho 78 anos e desembargador desde 70 anos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *