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O “Chula” e o ladrão da bateria!

“Coisas e Causos de Foz”

(Foto: Pixabay)

Na nossa turma do M’Boicy, no final da década de 1960 e começo dos 70, tínhamos de tudo. Gente de todos os tamanhos e idades, solteiros, casados, descarados e etc. Tínhamos até um “Playboy” no nosso grupo. O cara era sensacional e ficou pouco tempo por aqui. Era um sujeito bem informado. Foi criado no interior de SP, mas tinha estudado na capital.

Veio morar na fronteira porque o pai dele tinha montado uma loja de móveis em nossa cidade. A loja funcionava onde hoje é o “Sadi Magazin”. O nome era “Loja de Móveis Foz do Iguaçu Progride” e ele era vendedor, gerente, proprietário, dono do caminhão, entregador,etc. Fazia de tudo um pouco.

O nome do nosso camarada era Clóvis Progride. Era esse mesmo o sobrenome! Gente boa, amigo de todos.

Você chegava na loja, e ele estava sempre ouvindo a rádio Bandeirantes, em um rádio grande e potente. O carro chefe da programação era o programa do Helio Ribeiro (saibam mais sobre ele no mestre Google!), mas ele também ouvia o programa do Barros de Alencar, o “Só  Sucessos”. E gostava de ouvir o Enzo de Almeida Passos, com “As duas faces do disco”. Enfim… era ele quem atualizava a nossa discoteca.

Cantarolava sempre ou assoviava músicas atualíssimas!

Quando a gente saía, geralmente para ir aos torneios de futebol, era sempre no “Studbaker” dele.

Num desses domingos, sem futebol, organizamos um churrasco na chácara do pai do Betinho Holler, no Tamanduá.  Nos reunimos, cerca de 10/12 pessoas, levamos carne, bebida, pão e o escambau. Ah… eu tinha levado um garrafão de batidinha de limão também, confesso!

Saímos do M’Boicy, do Bar Amarelinho (lembram que era o ponto de partida?), em direção à chácara.

O Progride foi dirigindo o caminhão. Na entrada para a chácara, tinha um pontilhão e a porteira, e após cruzar a ponte, ele deu uma freada brusca porque alguém tinha descido pra abrir a dita cuja. Foi violenta mesmo a freada.

Aí continuamos a viagem até a margem do rio, que fazia um “U” na propriedade do “seo Roberto”. Ele estacionou o caminhão por volta de 10h00, numa sombra perto de alguns arbustos.

Fizemos fogo e cortamos os espetos (na época a gente usava espeto de pau). Uns foram pescar e outros, nadar. Lembro também que jogamos vôlei, futebol e até rolou um carteado. Pura diversão para a nossa turma. Claro que sempre tem os que dão uma cochilada.

Quando o sol já estava para se pôr, resolvemos voltar. Carregamos as coisas todas e pronto. Tínhamos bebido bem, mas com os mergulhos dados achávamos que estávamos curados de qualquer porre!

Tudo pronto pra voltar. O Progride sobe no “Stude” e ao tentar dar na partida, nada. Nem sinal. Abre o cofre (capô) do caminhão, mexe daqui, mexe ali e nada. E quem estava junto, era acostumado com esse tipo de situação. Os irmãos Faifa, por exemplo. Finalmente alguém descobriu, no compartimento lateral, que a bateria não estava no suporte. Só tinha uns cabos arrebentados e um terminal dependurado.

Elementar meu caro Watson!! Enquanto a gente se divertia, algum gaiato veio de mansinho e “cráu”, levou a bateria. Cada um pegou um pedaço de pau e já meio no escuro saímos à procura do ladrão. Não encontramos nada, até que o Nadir Almeida, o “Chula”, começou a gritar num canto da capoeira, “tá aqui o ladrão! tá aqui o ladrão!”.

Lá fomos nós pegar o “ladrão” do Chula e, claro, estávamos com medo.

Bem “despacito” e em silêncio, fizemos o cerco até chegar bem próximo e ver o “suposto ladrão”! Era… uma vaca leiteira do pai do Betinho. Pensa!

Na hora uns ficaram brabos com o Nadir, mas depois de uma boa caminhada, tudo virou gargalhada.

Até porque, tão logo saímos da porteira, a pé, em cima da tal ponte, estava caída a bateria do caminhão do Clóvis. Só que quebrada, é claro!

Juro que não lembro como chegamos à cidade. Só sei que isso foi conversa pra meses!!!

Aliás, “Chula” segue em Foz, firme e forte e o Clovis Progride mora hoje em Assis (SP).


Andres Cândia, Foz do Iguaçu.

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