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Jango, e o Nelson Nelly do Cine Star!

“Coisas e Causos de Foz”

Fachada do Cine Star em dia de programação. (Foto: redes sociais/Todos os créditos ao autor do registro fotográfico)

O “Jango” da Boca-Foz Irineu Basso é aqui da terra, mas durante um bom tempo morou em São Paulo. Ele era casado com uma parente de um pugilista famoso em todo o país, na época.

Jango inclusive trouxe o cara, para uma memorável luta, no antigo Campo do ABC, então localizado no centro da cidade, onde funciona hoje o Hotel Rafain Centro.

Uma multidão foi acompanhar a luta, sem se importar com o horário. Às 15h, sob um sol escaldante, subiram ao ringue (um tablado montado no meio do gramado) o pugilista e um “sparring” dele, que veio na caravana. Não lembro o nome.

Corria o ano de 1963 e nas paradas de sucesso em São Paulo, um cantor anão, que tinha um vozeirão, encantava milhares de fãs. Nem o nome completo se sabia direito. Só se sabia que era Nelson “qualquer coisa”. Até porque só ouvíamos pelo rádio e em ondas curtas, que sumiam vez ou outra.

Aí apareceu “seo” Jango, cheio de prosa, anunciando uma apresentação do tal “Nelson” em Foz (no cine Star), em Medianeira e no Club Sajonia, em Assunção.

Os anúncios (cartazes) eram do tamanho da placa do Cine Star. Um foi colocado no relógio da avenida (totem publicitário da época, onde é o marco zero de Foz) e o outro, em frente ao Batalhão.

Claudio Giovenardi e Romão Orlando Maran, em frente e a um totem publicitário daquela época. (Foto: redes sociais/Todos os créditos ao autor do registro fotográfico)

No anúncio: “NELSON NELLY, o cantor da multidão!” No Cine Star, dia tal, horário e… uma foto apagada do cantor.

No dia da apresentação, cinema lotado e todos aguardando o famoso artista nacional. Lembro que o porteiro do Cine Star nessa ocasião era o Mauro Manuel Alves dos Santos.

E após alguma espera, … eis que entra no palco um camarada, moreno, mancando e com um violãozinho nas costas.

Todos calados. Bem comportados, até diria!

Começou o tão esperado show e parecia que o cara tinha tomado umas antes. Dava pra perceber! Ele então cantou umas 3 ou 4 músicas, que terminava antes do fim. Foi uma fiasqueira total!

Em meio a vaias e gritos, a galera enfurecida foi pro palco, exigir dos organizadores que tomassem alguma providência. Mas… nada foi feito!

Todos foram enganados, inclusive o cantor. Ele contou que cantava nas ruas, em SP, no viaduto do Chá, no Largo do Arouche e em outros locais. Até que chegou esse homem bem vestido (Jango) perguntando se não queria ganhar um bom troco.

Só que tinha que viajar e cantar uma meia dúzia de boleros. Ele contou que até ensaiou pra fazer os shows. No fim das contas, acho que todos ficaram com pena dele.

O Jango sumiu por uns bons tempos, mas eles ainda foram pra Assunção, no Paraguai. Ah… e já tinham passado por Meeeedianeira!!

Andres Cândia

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