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“Asas da Memória”: conheça a relação de Santos Dumont com as Cataratas do Iguaçu

A exposição que conta a relação de Santos Dumont com as Cataratas do Iguaçu, foi aberta em novembro, no Ecomuseu da Itaipu, em Foz do Iguaçu. Mas, o isolamento social forçou o fechamento de várias instituições, inclusive dos museus. A exposição permanece aberta até este mês de maio, mas todos torcem para que o período seja ampliado.

E para que essa história não deixe de ser contada, mesmo em tempos de quarentena, a jornalista Izabelle Ferrari, uma das idealizadoras do projeto, compartilhou um vídeo que gravou antes da pandemia, mostrando detalhes da exposição e a relação do “pai da aviação” com as Cataratas do Iguaçu e com Foz do Iguaçu.

“Sim! O pai da avião passou por Foz em 1916. História que, pela primeira vez, é retratada numa exposição”, diz Izabelle.

Confira do vídeo:

Exposição Asas da Memória – A passagem de Santos Dumont por Foz do Iguaçu (Reprodução/Youtube)

A jornalista também compartilhou o texto que preparou para a abertura da exposição e que conta um poucos dos bastidores dessa história que ela tanto ama.

“Meu primeiro contato com Santos Dumont talvez tenha sido quando me aproximei da estátua de bronze dele que fica lá nas Cataratas do Iguaçu. Eu era criança e posei pra uma foto tirada pelos meus pais. Muito provavelmente eles não sabiam os detalhes da história que liga Santos Dumont às Cataratas, mas sabiam que era costume tirar uma foto dessas.

E é isso que ocorre com milhares de turistas que vêm visitar as quedas: já ouviram falar de Santos Dumont, sabem que o que ele fez foi muito importante pra história da humanidade, mas não conseguem entender ao certo qual a relação do inventor do avião com o Parque Nacional do Iguaçu.

Santos Dumont tinha uma mente inquieta. Pensava muito, muito à frente do tempo em que vivia. Alternava os pensamentos entre o presente e o futuro. Em viagem pelo território argentino, motivada por eventos sobre aviação, em 1916, Santos Dumont aceitou o convite para conhecer os saltos: do lado argentino.

Nesse ponto da história a coragem de um pioneiro do turismo e da hotelaria iguaçuense entrou em cena. Frederico Engel mantinha um hotel no centro de Foz e uma pequena filial de madeira pertinho das cachoeiras. Quando viu Santos Dumont desembarcar de algum dos navios que traziam turistas à fronteira não teve sossego até conseguir trazer o brasileiro mais notável de todos os tempos para visitar as Cataratas do lado brasileiro da fronteira.

Hoje, pra escrever esse texto, fiquei pensando sobre esse encontro: o mineiro Santos Dumont era pequenino, magrinho, um metro e meio de altura – literalmente. Já era uma personalidade mundialmente famosa por causa do primeiro voo com uma máquina mais pesada que o ar: o 14 Bis… isso tinha sido dez anos antes. Ele costumava usar chapéu panamá e deveria estar com um desses pra enfrentar o sol quente das nossas terras, no mês de abril.

Frederico Engel tinha 47 anos nessa época, cinco a mais que Santos Dumont. Era descendente de alemães… também não era muito alto, usava óculos… Foram três dias de convívio. Três dias que mudaram a história das Cataratas do Iguaçu. Três dias que mudaram a história da nossa cidade. Santos Dumont alterou o roteiro da viagem, foi a Curitiba pedir que as terras das Cataratas, pertencentes a um particular, fossem consideradas patrimônio da humanidade. E assim foi feito. E é por isso que hoje todos nós podemos visitar as Cataratas do Iguaçu.

Devemos ser gratos pelos encontros que a vida propicia e pelos novos rumos que a história toma.

Agradeço à minha amiga jornalista Silvia Scandalo por um dia proporcionar meu encontro com o empresário Sérgio Teixeira pra que pudéssemos, também com o apoio da minha irmã, Kathlen Ferrari, e da museóloga mineira Margareth Monteiro lutar para que essa exposição ocorresse. O que nos uniu? A fascinação por essa história pouco conhecida sobre Santos Dumont registrada na cidade que amamos!

Em nome deles, agradeço às nossas famílias e aos amigos pelo apoio.

Agradeço aos bisnetos de Frederico Engel: Renato, Jaci, Elfrida e Isabel, por não se cansarem de contar essa história e por todo apoio à exposição.

Agradeço à mãe deles, dona Irma, neta de Frederico Engel, guardiã dessa história que faleceu em dezembro do ano passado, aos 99 anos, e a todos os antepassados da família Engel envolvidos com esses fatos e relatos, como dona Elfrida Engel, que registrou por escrito tudo o que ocorreu.

Agradeço ao Ecomuseu por nos acolher e aos diretores de Itaipu por nos prestigiarem.

E aos responsáveis pelo Parque Nacional do Iguaçu por acreditarem que é possível ir além, dando espaço pra que pudéssemos sonhar com a reconstrução de uma réplica do hotel em que Santos Dumont ficou hospedado. Esse é o nosso próximo projeto, possibilidade compartilhada publicamente nesta noite, em primeira mão, com vcs.

Obrigada a todos vocês que deram importância a esse assunto, nesta noite! Certamente, mais pessoas precisam saber dos fatos que ligam Santos Dumont às Cataratas do Iguaçu. Assim, as fotos tiradas ao lado da estátua de bronze, lá pertinho das quedas, e que circulam pelo mundo todo, farão muito mais sentido!

Obrigada!”

Izabelle Ferrari – Jornalista

3 comentários
  1. Prince Ivo szymanski

    Conheci Elfrida Engel (FRIDA) ENTRE 1977/1984 , ENQUANTO MOREI NA Rua Edmundo de Barros, 87, ao lado da casa JACI. fui tenente do 1 Batalhao de Fronteira, e aí era o antigo Hotel de Trânsito do Exército, na época frente ao supermercado Muffato (Hermínio e Otto comandavam) abaixo na frente Av Brasil era o Bradesco. Fui o primeiro morador da Casa depois do hotel de trânsito e vizinho de FRIDA. POR COINCIDÊNCIA DO DESTINO , ELA CONHECEOU MEU AVO Dr Júlio Szymanski, primeiro cátedra da Universidade Federal do Paraná na cadeira de oftalmo otorrino laringologia com os primeiros livros em português área, e ex presidente do Senado Polonês quando estourou a segunda guerra mundial, que segundo Relato DELA ESTIVERAM JUNTOS E HOSPEDADOS NESTA EPOCA. Pode pesquisar se existe o livro de hóspedes do hotel Brasil ainda? Telefone de contato 041 98403-9200

  2. Voluntários convocam população para pedir pela criação de espaço que lembre a passagem de Santos Dumont no Parque Nacional do Iguaçu – Cris Loose #Compartilha

    […] Essas curiosidades e objetos ligados à passagem dele por Foz do Iguaçu, como o livro de hóspedes com a assinatura do pai da aviação, compõem a primeira exposição pública sobre o assunto, atualmente, no Ecomuseu de Itaipu a exposição “Asas da Memória – Santos Dumont na Terra das Cataratas”. Saiba mais AQUI.  […]

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