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Infectologista afirma que faltam dados para o enfrentamento da pandemia no Brasil

Flávia Trench é médica infectologista, docente do curso de Medicina e integrante do Comitê Institucional de Enfrentamento à Covid-19. (Foto: Divulgação/Unila)

As decisões de fechamento e abertura do comércio estão sendo tomadas sem o embasamento em dados epidemiológicos robustos. Essa é a opinião da médica infectologista e docente do curso de Medicina da UNILA, Flávia Trench. A docente, que também é integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, reiterou que o isolamento social é a única ferramenta para evitar a disseminação do novo coronavírus. Porém, ela defende que são necessárias mais informações para garantir que o distanciamento tenha um resultado efetivo. “O problema da estratégia brasileira de enfrentamento à Covid-19 é que ela é feita sem dados. A gente tem um setor de epidemiologia pífio, temos subnotificação não só para coronavírus, mas também para doenças mais clássicas. E temos números de testagem igualmente insuficientes”, afirmou.

Durante um entrevista para a nova temporada da websérie Fator Ciência, Flávia salientou que “nós estamos tomando decisões para fechamento e, agora, para reabertura [do comércio], absolutamente no escuro. Nos faltam dados para o enfrentamento da pandemia no Brasil”.

O programa na íntegra está disponível no Youtube da UNILA https://www.youtube.com/unila ou no Spotfy , https://open.spotify.com/show/15W5KW9a5JvL49L3BXh08M

Testes – Informações compiladas pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, mostram que, atualmente, a proporção de testes para cada mil habitantes no Brasil é de 0,63 (ou 63 a cada 100 mil habitantes). Esse número colocou o Brasil entre os países que menos testam no mundo. “Nós testamos uma ínfima parte dos pacientes que precisaríamos testar para ter dados robustos, para explicar o que está acontecendo realmente, e que nos ajudem a tomar decisões”, acrescentou a infectologista.

Flávia relata que o único dado que é levado em consideração na estratégia brasileira é a ocupação dos leitos de UTIs e enfermaria. “Mas esse é um número que pode mudar rapidamente, de um dia para o outro, principalmente se levarmos em consideração que um paciente grave de Covid-19 fica, em média, 14 dias na UTI entubado. Já há relatos de pessoas que ficaram mais de 40 dias internadas”, disse.

Com a implantação da testagem por amostra em Foz do Iguaçu, Flávia Trench espera obter dados mais realistas sobre a realidade local. “Isso é basicamente o que Israel, Singapura e a Coreia do Norte fizeram. Chamamos de ‘buscar a doença’. Mas isso deve ser algo bem feito e bem planejado. É uma estratégia que salva a economia, salva vidas e evita o colapso do sistema de saúde”, explica.

Imunidade e vacina – Por ser uma doença nova – ainda sem vacina e sem tratamento medicamentoso preventivo –, ainda há muitas dúvidas sobre o comportamento do Sars-CoV-2, o vírus que causa a Covid-19. Um dos questionamentos é se o paciente que já foi infectado obteria anticorpos que o impediria de ser novamente infectado pela doença, por um período de tempo. Segundo a médica Flávia Trench, ainda não há informações suficientes sobre a Codiv-19 para fazer essa afirmação.

Por conta dessa dúvida, a orientação é que mesmo a pessoa que já tenha sido infectada deve continuar mantendo os hábitos de higiene, distanciamento e uso de máscaras. Todas essas práticas deverão ser seguidas por todos até, pelo menos, ter uma vacina desenvolvida e distribuída mundialmente.

Com informações da Assessoria de Comunicação da Unila

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