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Mulheres incríveis e suas ideias maravilhosas na quarentena

A rotina em home Office

Que o dia das mães vai ser diferente todos já sabemos, afinal, estamos nos adaptando a uma nova maneira de encarar a vida em tempos de isolamento.

Para falar sobre essa adaptação, sobre a nova rotina e para homenagear todas as mulheres, sejam mães ou não, três mulheres contam um pouco sobre a vida na quarentena.

Parabéns a todas nós! Feliz dia das mães!  

Kethleen Simony, 32, jornalista, casada e mãe de dois meninos

Kethleen com os filhos na hora da leitura. (Foto: Arquivo pessoal)

A jornalista e produtora Kethleen Simony, de 32 anos, mora e trabalha em Cascavel. Casada e mãe de dois garotos, de 4 anos e de 1 ano e 4 meses, ela e o marido se desdobram para cuidar da casa e das crianças em tempos de pandemia.  

Kethleen conta que aos poucos a família vem se adaptando à nova rotina. “Hoje em dia acordamos juntos, faço café e em vez de seguir de carro pra levar as crianças à escola, abro a porta do “escritório”, em casa.

A jornalista conta que entre trocas de fraldas, abraços, beijinhos, choro e muitos “Olha, mãe!”, saem os agendamentos das pautas que produz.

“Há dias em que faço o almoço antecipadamente na noite anterior, e outros em que já deixo tudo encaminhado para preparar a comida em poucos minutos”, diz. Também não abrimos mão, vez ou outra, do marmitex entregue pelo restaurante do bairro. “Comida caseira, simples e que sempre é bem vinda”.

Kethleen conta que “nós sempre ficamos muito tempo juntos, mesmo antes da pandemia, mas agora somos praticamente só nós. Meus pais e irmãos atuam na área da saúde. Meus sogros são do grupo de risco então, não há com quem dividir a tão sonhada rede de apoio maternal”.

Ela também afirma que as videochamadas, eram mais freqüentes no início do isolamento, mas agora estão mais esparsas. “Às vezes parece que falta assunto e isso dói no coração”, desabafa.

Sobre as visitas aos parentes, ela diz que “são de médico”, bem rápidas, com máscaras, sem abraços ou beijos, sem as refeições que reuniam a família nos fins de semana ou a qualquer tempo.

“Apesar da saudade de todos juntos, não dá pra arriscar, e pra compensar todo esse sentimento, buscamos o que há de melhor internamente para passar segurança para as crianças”, conta.

(Foto: Arquivo pessoal)

A família tenta inventar coisas diferentes para fazer mesmo dentro de casa e coube ao paizão montar uma caixa de areia para os meninos matarem a saudade da escola e dos passeios nos parques e praças da cidade.  

Os dois procuram auxiliar as crianças nas tarefas escolares. O mais velho já iniciou a alfabetização, mas as aulas em casa seguem um ritmo próprio, sem uma programação específica. “O mais importante é tentarmos nos conectar e incentivar o desenvolvimento das crianças e não “oferecer estrelinhas por cumprirem tarefas”, conta a mãe.

“De repente a sociedade, que em geral quer a mulher por inteiro no trabalho, é a mesma que quer a mãe dedicada e presente em uma mesma realidade, e nós vamos nos adaptando”, finaliza.

  • Kethleen prestou esse depoimento enquanto passeava de carro com o marido, para os meninos dormirem. “Desta vez não teve acordo”, contou.

Bianca Mendes Portela – Empresária de Comunicação e Marketing, casada e mãe de 3 filhos

A empresária também teve a rotina alterada devido à pandemia e fez um relato do dia a dia da família.

“Acordo. Cedo, porque o dia pode ser em casa, mas continua longo. Estranho um pouco porque não há mais aquele agito costumeiro. Não preciso gritar: “Gente, vamos! Uniforme! Tomem o suco! Julia, arrume o cabelo! Bruna, escove os dentes! Tô saindo, quem ficar, ficou!

(Foto: Arquivo pessoal)

Falta aquele alvoroço tão costumeiro pra nós, mães. A casa está… silenciosa. Quem agita nossos sonolentos primeiros momentos é a gata, ironicamente o mais preguiçoso dos animais. Será que assim somos? Preguiçosos por natureza?

Mas o dia, enfim, começa. As crianças, aula online. O café reúne todo a família enquanto eu aproveito pra pôr uma roupa pra lavar.

Cliente liga e imediatamente assumo o “posicionamento online”. Escritório cheio de pó? Não dá. Limpo. Filha, você quer ajuda na lição? Vem cá!

Hora do almoço. Depois disso, a louça não é comigo.

Reunião online no início da tarde e no início da noite. Opa, entre uma “agenda” e outra, cliente ligando. Filha, não posso jogar agora, a mãe já vai!

Fim do dia com a família. (foto: Arquivo pessoal)

Hora do café? Já? Aproveitamos para jogar um pouquinho, mas outro cliente liga. A mãe já volta!

Hora da janta. Reunião. Hoje vamos pedir algo pra comer? Acabei de trabalhar. Ah… deixa eu ver a roupa. Agora sim, acabou! Vamos ver um filme, todo mundo? Prometo não dormir durante o filme.

Pensando bem, até podemos ser preguiçosos por natureza, mas certos estímulos ajudam, não é mesmo?

Às mães que, como eu, ficarão em casa, fazendo o que amamos para os que amamos, desejo um Feliz Dia das Mães! Afinal, por mais que o mundo tenha mudado, pra nós, pouca coisa mudou”.

  • Os filhos da Bianca são o Andrei (20 anos, estudante de Medicina Veterinária na UFPR em Palotina que, sem aula, está em casa com a família), a Julia (10 anos) e a Bruna (6 anos).

Iete Madalozzoo Tremea, mãe de 2 filhas e avó

Iete mora em um apartamento e é vizinha de uma das filhas. A outra filha, vive com o marido e com a filhinha no Rio de Janeiro. Quando a situação por lá começou a piorar por causa da pandemia, os três vieram se abrigar na casa de Iete.

(Foto: Arquivo pessoal)

“Eu acho uma delícia essa movimentação. Sempre procuramos nos ver com frequência, mas nunca ficamos tanto tempo assim juntos e esse tempo está fazendo com que a gente descubra coisas novas uns dos outros. Além disso, estou podendo aproveitar a minha neta o máximo possível.

“Estou aproveitando pra brincar muito com minha neta”, conta Iete.. (Foto: Arquivo pessoal)

Sinto falta de sair, é claro. Às vezes me sinto enjaulada no apartamento, já que gosto de passear. Mas sei que tenho que me cuidar e cuidar da família. Então eu aproveito pra brincar muito com a minha neta, que tem 6 anos, e é a alegria da casa.

Eu só agradeço a Deus por ter saúde e por estar com minha família. E gostaria que fosse assim para todas as mães e avós, mas infelizmente, a realidade não é essa! Só sei que não podemos perder a esperança. Isso vai passar e nós devemos aproveitar para sair disso tudo melhores do que éramos”.

  • Iete fez esse relato enquanto inventava uma nova brincadeira, com a neta, é claro.

Marina Xavier da Silva, bióloga, casada e mãe da Lia

A pequena Lia tem 2 anos e 5 meses e, de acordo com Marina, ser mãe em quarentena exigiu alguns ajustes. Porém…

“Há que se ressaltar que iniciamos em condição privilegiada, com a possibilidade de podermos trabalhar em sistema home office (pelo menos esse era o plano) e pelo fato de a Lia ter apenas 2 anos.

Família reunida. (Foto: Arquivo pessoal)

Isso quer dizer que ela “sabe” pouco sobre vida social (ou a falta dela) e que eu não sabia nada, até então, sobre a (im)possibilidade de cuidar da família e dar conta do trabalho (entenda aí, aquele que me gera renda!).

Entre os ajustes necessários, o de maior impacto consistiu na minha saída definitiva do trabalho.

Todos os demais consistiram – a partir daí – em nos desdobrarmos para dar toda a atenção possível à filha e mantermos a sanidade e a paz do lar.

Nesse contexto, a Lia assumiu um importante papel. Trazer a paz ficou por conta dela! A bagunça e o cansaço também, é verdade, mas eles nem de longe representam uma ameaça à paz e à alegria que ela nos dá diariamente.

De todas as exigências da casa, a faxina é a tarefa mais árdua. Eu sempre achei árdua (nunquinha que menosprezei isso), mas em quarentena, eu começo a faxina às 9:00 e às 22:00 eu encerro, deixando banheiro e quintal para o outro dia.

Lembrando que um serzinho de 2 anos e meio te acompanha em todos os cômodos, tirando tudo do lugar, trazendo coisas de outros cômodos para aquele que você está tentado limpar e exigindo sua participação nas brincadeiras.

Pensa na frustração!! Ainda que seja; poder brincar com ela, ver todo seu desenvolvimento, receber seu carinho é realmente um presente dessa quarentena.

Lia está numa fase maravilhosa, todos os potes, folhas, garrafas pets, prendedores de varal, desenhos na toalha de mesa, pedras no chão, absolutamente tudo vira papai, mamãe e filhinhos ou qualquer outra coisa estrambólica da imaginação dela! Nosso papel é só dar corda…e nos divertir com o resultado!

A “pequena sereia” Lia,na piscina de areia improvisada com o que sobrou da obra feita pelo vizinho. (Foto: Arquivo pessoal)

E assim vamos levando. Muito cansados, mas, sobretudo, gratos pela generosidade de um confinamento com essa filha encantadora! Eu não poderia desejar nada diferente para o Dia das Mães! Cárcere privado com minha pequena dose de desassossego e muito amor! Feliz dia das mães para todas nós!”

  • Marina escreveu esse texto por volta das 23:00. “A Lia estava vendo desenho do meu lado na TV e ….pulando no meu pescoço”.

Cris Loose, com Kethleen, Bianca, Iete e Marina.

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