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A pandemia e o lado mais cruel do ser humano: o tráfico de pessoas

Paraguaios aguardam na Ponte para retornar ao país de origem. (Foto: Arquivo/Armada Nacional)

O Paraguai registra cerca de 300 casos de vítimas de tráfico por ano, segundo dados do Ministério Público e das Nações Unidas

No editorial deste sábado (9) o Ultima Hora abordou a questão do tráfico de jovens para a exploração sexual e também para o trabalho escravo. Situação que ficou mais evidente em plena crise causada pela pandemia de Cóvid-19, que trouxe à tona crimes graves que até então não tinham tanta “visibilidade”.

É o caso das 22 meninas paraguaias, vítimas de tráfico para fins de exploração sexual e trabalhista, submetidas à escravidão no Brasil, que foram abandonadas na Ponte da Amizade.

Entre os casos de centenas de paraguaios que voltaram do Brasil durante o período de emergência,  chamou atenção o grupo de 22 meninas paraguaias vítimas de tráfico que retornaram de São Paulo. Quando os locais onde elas ficavam enclausuradas fecharam, devido à quarentena, elas foram abandonadas à própria sorte e conseguiram chegar à fronteira, para voltar ao país de origem.

Segundo o Ministério da Infância e Adolescência, que está conduzindo o caso, são meninas e adolescentes paraguaias com idade entre 12 e 17 anos de idade, que foram forçadas a fazer “trabalho escravo” em fábricas na região de São Paulo. Todas foram abandonadas pelos próprios captores perto da Ponte da Amizade.

A Ministra da Infância informou que algumas dessas vítimas sofreram exploração sexual, mas a maioria foi explorada no local de trabalho. “A maioria estava em fábricas de roupas ou fazia serviços domésticos. Encontramos meninas muito jovens, de 12 anos, que nunca poderiam deixar o país para esse tipo de atividade, porque é proibido”.

A ministra alertou para a “permeabilidade nas fronteiras”, uma vez que não há registro da saída delas, todas menores de idade, do país. Se a situação não tivesse ocorrido devido à pandemia, as meninas continuariam sendo exploradas no Brasil.

Várias das vítimas apontaram que há muitas outras meninas na mesma situação, sujeitas a maus-tratos em São Paulo e outras cidades.

Em várias reportagens investigativas, o Última Hora  revelou que o tráfico de pessoas, especialmente meninas e adolescentes paraguaias, provenientes de famílias pobres, é um dos crimes mais perversos e encontra caminhos por Cidade do Leste e pela tríplice fronteira.

As organizações criminosas aproveitam a pobreza e a necessidade de trabalho para recrutar suas vítimas, que “abastecem” o mercado internacional da prostituição e do trabalho escravo, seja no Brasil, na Argentina, na Bolívia, na Espanha e em outros países.

O Paraguai registra cerca de 300 casos de vítimas de tráfico por ano, segundo dados do Ministério Público e das Nações Unidas. No entanto, a proporção é muito maior, pois, de acordo com a Ministra, que trabalhou por muitos anos como agente fiscal da Unidade contra o Tráfico de Pessoas, para cada caso relatado há outros 20 semelhantes que permanecem ocultos.

Espera-se que as 22 meninas resgatadas e repatriadas no meio da quarentena de coronavírus possam ser  reintegradas de maneira digna à sociedade, e que medidas sejam arbitradas para impedir que mais jovens continuem sujeitas a uma prática criminosa tão vil e desprezível.

Leia mais: https://www.ultimahora.com/impedir-que-nuestras-ninas-sigan-siendo-victimas-trata-n2884355.html

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