Sem categoria

Pandemia: mudanças são mais expressivas nas cidades situadas na linha de fronteira

A pandemia que mudou a vida de bilhões de pessoas mundo afora alterou de modo mais significativo a vida de quem vive em cidades brasileiras divididas pela linha de fronteira. É o caso de Ponta Porã (MS) e Foz do Iguaçu (PR), cidades-gêmeas de Pedro Juan Caballero e Ciudad del Este (PY) respectivamente, municípios onde as economias se misturam e que passaram a conviver com uma realidade inusitada desde 28 de março, quando o governo paraguaio fechou as fronteiras com o Brasil.

Desde então, a livre circulação entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero foi interditada por cercas de arame farpado e pneus, e passou a ser controlada pela polícia e exército paraguaio. Mais do que separar dois países, a barreira física dividiu uma cidade ao meio, interferindo nas relações sociais dos cidadãos de ambos os lados da linha fronteiriça, com reflexos mais diretos sobre o comércio, o trânsito de veículos e a educação.

Uma nova dinâmica foi estabelecida no comércio de produtos e na circulação de pessoas. Para vencer as barreiras físicas, os moradores de ambos os lados passaram a adotar práticas como fazer solicitações via whatsapp e receber a encomenda na linha de fronteira.

Mas a necessidade de circulação em uma cidade que divide dois países não pode ser definida apenas pela relação econômica. Dos oito alunos especiais de uma moradora da região, cinco são paraguaios. Cedida pela Secretaria de Educação de Mato Grosso do Sul para atender alunos excepcionais, ela, que é professora, precisa ir até a linha divisória entre os dois países para seguir a orientação de entregar atividades pedagógicas complementares aos pais dos estudantes. “É um momento histórico, nunca vivemos essa situação” lamenta a professora.

Também pesquisadora da UEMS, a professora defendeu recentemente, em meio à pandemia, sua dissertação de mestrado, trazendo pesquisa reveladora de uma realidade fronteiriça pouco conhecida. De um universo de 1.473 alunos de cinco escolas de ensino fundamental de Ponta Porã, situadas na faixa de até um quilômetro da linha de fronteira, 952 são naturalizados brasileiros, mas vivem no Paraguai.

Aos professores resta buscar meios para lidar com essa realidade. Tentando cumprir o novo papel que a pandemia lhe impôs, ela lamenta que a polícia paraguaia tenha mudado de comportamento e, na atualidade, dificulte até mesmo a comunicação com os pais dos alunos que estão do outro lado. “Agora eles fecharam o cerco e não podemos entregar mais nada”. Para não deixar os estudantes sem atividades, a professora procura parentes com permissão para fazer a travessia para entregar as atividades das crianças.

Tríplice fronteira – Na tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai, Foz do Iguaçu também vive um momento sem precedentes. A interdição das duas pontes que a ligam aos países vizinhos alterou o perfil da cidade, marcado pelo acesso terrestre em deslocamentos como se Ciudad del Este e Puerto Iguazú fossem bairros.

Sem previsão para reabertura do comércio no Paraguai, Foz se viu sem a característica aglomeração da travessia da Ponte Internacional da Amizade e tudo o que ela representa em termos de movimentação financeira e social.

Para quem depende do comércio no país vizinho, como é o caso de centenas de empresários e milhares de trabalhadores brasileiros que moram em Foz e fazem a travessia diariamente, é uma questão de sobrevivência mais séria.

Além do comércio paraguaio, os moradores da fronteira também sentem falta dos atrativos oferecidos pelos hermanos desde a interrupção da Ponte Tancredo Neves, em 28 de março. O apelo da carne argentina e o charme de Puerto Iguazú se somam à variedade de atrativos turísticos de Foz do Iguaçu e contribuem economicamente para o turismo, que dispara como grande vetor da economia da região.

Leia a matéria completa da jornalista Rosane Amadori no site http://www.idesf.org.br/2020/06/18/pandemia-mudancas-sao-mais-expressivas-nas-cidades-de-fronteira/

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *