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Os “monstros” da Itaipu e a contagem das rodas

A peça que será usada na estrutura da nova Ponte. (Foto: Dermuth Estruturas)

Lembranças de Medianeira!

Ao compartilhar nesta quarta-feira (15), a informação da chegada de uma peça gigantesca que será usada na estrutura da segunda ponte entre Brasil e Paraguai e ao ver a foto acima, me bateu uma saudade danada.

Lembro que em 1979, na minha “primeira viagem de avião” em um monomotor, prefixo PT-KLO, que partiu do “aeroporto” de Medianeira rumo a Foz, para sobrevoar a Itaipu e as Cataratas, assim, tipo passeio panorâmico mesmo, o canal de desvio já estava aberto e a Itaipu parecia um emaranhado de gente, ferro e concreto.

(Foto: Arquivo pessoal)

O “canal de desvio” foi aberto em outubro de 1975 (*), para definir um novo curso para a água do rio Paraná. O novo canal permitiu que o trecho do leito original do rio fosse secado, para receber a barragem principal, em concreto.

Sim, crianças, eu vi o canteiro de obras da Itaipu do alto! Woww! E para os meus amiguinhos, aos 9 anos, eu dizia (cantandinho): Já andei de aviãooooo!  

Com tanta gente passando por Medianeira com destino a Foz, a fronteira virou o que chamavam de formigueiro humano.

Lembro que compadres dos meus pais moravam na Vila A. Um casal de dentistas. E quando a gente vinha pra cá, era uma festa danada. Adorava andar pela Vila A onde todas as casas eram iguais e eu nunca sabia pra onde ir.

Parecia coisa de… sei lá… cidade de mentira. Mas não. Era muito bom reunir as famílias na casa do “tio” Lauro Consentino Filho e da “tia” Vera. O quintal era enorme e aquilo de casa pré-fabricada era novidade pra mim.

Foz era “cidade grande” para nós, medianeirenses.

Aí, nos anos 80, começou o transporte de materiais para a construção da usina, que mobilizou 20.113 caminhões e 6.648 vagões ferroviários. E foi essa a lembrança que me veio à cabeça quando vi a peça de 60 toneladas, que será usada na nova ponte. Na hora lembrei da “contagem das rodas”. Explico.

Quando a Itaipu estava sendo construída, peças inteiras eram transportadas, dos fabricantes até a usina. A primeira roda da turbina, com 300 toneladas, saiu de São Paulo, em 1981 e chegou ao canteiro de obras somente em março de 1982.

Mas antes de chegar a Foz… passou por inúmeras cidades. Medianeira, inclusive. O transporte de cada nova turbina, de cada nova peça, era um evento no município cortado pela BR-277.

Sim… naquela época ainda não tinha viaduto nem nada e cada um, de uma maneira, encontrava um lugar, às margem da rodovia, para ver as peças passando.

Elas eram transportadas por 3, 4 cavalos que  mais pareciam aqueles tanques de guerra, engatados um a um. Eram os monstros que puxavam uma carroceria enorme, onde ficava a tal da turbina ou a tal peça. TUDO MONSTRO!!! E a gente, moleque, ficava tentando contar quantos pneus havia naquela espécie de plataforma puxada pelos cavalos. (Sem chance de chamar aquilo de cavalinho!). Era competição mesmo, pra ver quem conseguia.

Na época só pensava na quantidade de pneus, que nunca consegui contar. Aliás, se alguém conseguiu, me avise. Sei que eram mais de 100! E… sem querer abusar, se alguém também tiver alguma foto e quiser me mandar, compartilho com alegria.

Mas hoje eu fico pensando no trabalho que todo esse povo teve e ainda tem. Fico feliz por saber que MONSTROS estão cruzando as rodovias novamente, mesmo que sejam menores. É legal ver a nossa região crescendo! Sempre.

Os monstros (*atualizado às 19:10)

(Foto: Reprodução/Internet)
(Foto: Reprodução/Internet)

Logo após compartilhar essa matéria, um amigo me mandou estas fotos e perguntou se eram estes “OS MONSTROS”. Respondi que sim! Então buscamos os responsáveis pelas fotos para dar o devido crédito, mas não encontramos. Se alguém souber, atualizamos novamente.

(*) Mais informações sobre a história da Itaipu, você encontra AQUI. As datas e as informações mais exatas são do site da Binacional.

Cris Loose

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