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Há 73 anos, nuvem de gafanhotos assustou moradores do RS e deu início à aviação agrícola no país

(Foto: Pixabay)

Conversando com meu tio, David Frosi, sobre as nuvens de gafanhotos, ele, que mora em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul, me disse: “Que venham… lembro de 47, mas acho que eram menos, mesmo assim devoravam um pé de milho em minutos!”

Gafanhotos? 1947? Fiquei curiosa e pedi para ele contar mais, mas ele disse que se lembra de pouca coisa, já que era um “guri” de uns 4 anos de idade, mas falou que “a gente abanava ou tentava espantar com capoeira”. Pra quem não sabe, capoeira é mato.

Continuei curiosa e achei alguns relatos bem interessantes da época.

A invasão de 1947

A notícia de que uma nuvem de gafanhotos migratórios encontra-se próximo à fronteira do Brasil com a Argentina, podendo dizimar plantações de estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina e Paraná, trouxe apreensão para muita gente.

No entanto, essa não é a primeira vez que o fenômeno ameaça a agricultura do país. Em 1947, moradores de Passo do Sobrado e de Santa Cruz do Sul presenciaram a fúria dos insetos, que atacaram diversas lavouras.

A secretária da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, de Passo do Sobrado, Giselda Maria Kroth, foi quem encontrou o registro da passagem dos insetos pelo município. Segundo ela, há cerca de um ano, quando procurava por documentos para a comemoração dos 90 anos da entidade, encontrou o primeiro livro-tombo, também conhecido como livro-ata, e verificou com surpresa essa menção.

“Peguei o livro e comecei a folheá-lo e, diante de tantos registros interessantes da época, encontrei o do ataque de gafanhotos. Agora, quando eles ameaçaram chegar ao Brasil, lembrei que não é a primeira vez que isso acontece, e decidi compartilhar o fato”, salientou.

Os apontamentos do vigário da época, José Reinaldo Rauber, detalhados em duas páginas e intitulados de “Inundação de Gafanhotos”, apontam, em 5 de agosto de 1947, que o ataque durou quase trinta dias e se estendeu por diversas localidades, deixando um rastro de destruição em várias propriedades.

“Encontramos entre nós os terríveis gafanhotos na localidade da Malhada; devido ao frio e à chuva ficaram quase oito dias. De lá, foram para Potreiro do Inferno, onde comeram mudas de muitos canteiros. Após três dias, levantaram voo para Cerro Alegre, onde permaneceram por dias”, relatou.

Já no dia 15 de agosto, os insetos estiveram em Rincão do Sobrado e, depois, em Taquari Mirim e Campo do Sobrado. Alguns deles teriam ainda permanecido por semanas no centro da então vila. Em 31 de agosto daquele ano, uma celebração religiosa chegou a ocorrer na paróquia devido à preocupação dos moradores.

Os gafanhotos e a aviação agrícola

Na mesma época, em 19 de agosto de 1947, há quase 73 anos, nascia em Pelotas (RS) a aviação agrícola brasileira. A data celebra o primeiro voo desse ramo da aviação nacional, que foi criado para combater uma infestação de gafanhotos como a que hoje ameaça chegar ao sul do país vinda da Argentina.

Com o estado de emergência fitossanitária declarado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a aviação agrícola volta agora a ganhar destaque, justamente para conter essa praga.

O combate

Para esse tipo de voo, especificamente, os aviões decolam de manhã, enquanto os insetos ainda estão em repouso sobre as plantações. A pulverização dos agrotóxicos não pode ser feita próximo a áreas urbanas, onde existam pessoas circulando, nem perto de áreas de proteção ambiental.

Para evitar que os químicos sejam dispersados em locais indesejados, os voos são feitos a cerca de 8 a 10 metros acima do solo, atingindo diretamente a nuvem de insetos, que tem altura registrada de até 6 metros.

Frota nacional

  • Brasil tem hoje 2.280 aviões agrícolas, dos quais, só 15 são helicópteros;
  • A maior parte da frota (56%) é composta pelo modelo Ipanema, da Embraer e
  • Mato Grosso tem a maior frota, com 520 aviões.

Leia mais: http://www.gaz.com.br/conteudos/regional/2020/06/30/167504-moradores_da_regiao_relembram_ataque_de_gafanhotos_ha_73_anos.html.php

Leia mais: https://www.bol.uol.com.br/noticias/2020/07/06/aviacao-agricola-polemicas-poucos-metros-do-solo-risco-acidente.htm

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