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Por que agricultores já estão vendendo a soja que só vai ser colhida em 2022

(Foto: Pixabay)

Dólar valorizado e apetite chinês estimularam movimento inédito no mercado. Grão é o principal produto de exportação do Brasil.

O agronegócio brasileiro vive um bom momento dentro e fora da porteira em 2020. Com exportações aquecidas, é o único setor da economia que tem conseguido bom desempenho em meio à pandemia do novo coronavírus.

Reflexo disso está na soja, principal produto do agro brasileiro e item mais exportado pelo país. E com dólar valorizado e grande procura da China, agricultores estão antecipando a venda do grão que só vai ser colhido no começo de 2022, um fato inédito.

O Brasil se prepara agora para o plantio da safra 2020/21 e, no caso da soja, a colheita está prevista para o início do ano que vem. Isso significa que os agricultores estão antecipando as vendas do produto de uma safra à frente.

A avaliação de especialistas é de que 3 fatores permitiram esse cenário inédito:

  • Primeira vez que indústrias aceitaram comprar o grão tão cedo;
  • Preços atrativos por conta do dólar valorizado;
  • Alta demanda da China, maior compradora mundial.

Especialista apontam pequenos negócios ocorrendo no Centro-Oeste e no Paraná. Segundo o Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária (Imea), pelo menos 1% da soja de 2022 já foi negociada. Essa venda normalmente ocorreria no início do ano que vem.

O real desvalorizou mais de 30% em relação ao dólar em 2020. Isso deixa o produto brasileiro mais barato no mercado internacional. Além disso, o Brasil é referência na produção de soja, sendo o maior produtor e exportador mundial.

Outro fator, explica Bartolomeu Braz, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), é que essa é a primeira vez em que os agricultores conseguem fazer uma negociação tão antecipada pelo grão.

Importação – Porém, vendas tão aceleradas – tanto agora quanto nas negociações futuras – deixaram a soja mais cara no mercado interno e, com isso, indústrias começam a importar o grão de países vizinho por um preço menor.

A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de que os embarques de soja alcancem 82 milhões de toneladas, o que seria um recorde. Neste cenário, os preços praticados no Brasil sobem muito, e as indústrias perto da fronteira começam a procurar soja em países vizinhos, especialmente o Paraguai.

“A gente deve importar 1 milhão de toneladas até o fim do ano. O máximo que a gente tinha comprado foi 590 mil toneladas em um ano. Os estoques vão ser mínimos este ano, devem ser os menores da história”, diz Luiz Fernando Gutierrez, analista da consultoria Safras & Mercado.

Leia mais: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2020/08/14/por-que-agricultores-estao-ja-estao-vendendo-a-soja-que-so-vai-ser-colhida-em-2022.ghtml

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