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Começa temporada de praia “iluminada” por plâncton na Ilha do Mel

(Foto: Pixabay)

Alguns sortudos já tiveram a oportunidade de caminhar à noite, pela praia, e se encantar com uma luminosidade diferenciada vinda do mar, produzida por algumas espécies marinhas. Assim como o vaga-lume, alguns peixes, moluscos e algas, entre outros, possuem uma característica interessante: a bioluminescência.

Essa característica diz respeito à capacidade de um ser vivo produzir luz fria e visível, gerada por reações químicas. Aqui no litoral do Paraná, especialmente na Ilha do Mel, está aberta a temporada de plâncton bioluminescente, conjunto de organismos que ficam suspensos na água e englobam seres fotossintetizantes e pequenos animais – geralmente mais abundantes entre agosto e setembro.

Embora seja uma reação química comum da natureza, a luminosidade não deixa de impressionar, até mesmo quem mora na região e já está acostumado com a beleza das luzes.

Pesquisas mostram que este tipo de espetáculo é causado por bactérias bioluminescentes e por algumas espécies vegetais marinhas, como algas, que emitem uma luz parecida com neon que realça no movimento das marés. Apesar de boa parte da bioluminescência marinha apresentar uma coloração entre o verde e o azul, algumas espécies de peixes produzem um brilho vermelho.

De acordo com o biólogo Caio Fernandes, a incidência do plâncton no litoral do Paraná é de coloração verde devido à formação de manguezais, com riqueza em materiais orgânicos. “A bioluminescência ocorre quando há o movimento de águas mais quentes. Esses ‘microbichinhos’ do mar funcionam como filtradores e aparecem apenas em ambientes livres de poluição”, ressaltou.

Fenômeno também acontece em outras praias do litoral

O professor dos cursos de Oceanografia e Engenharia de Aquicultura, do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UPFR), campus Pontal do Paraná, Luiz Mafra Junior, comenta que o fenômeno pode ser observado em outras praias do litoral paranaense, mas que, realmente, a visualização é facilitada na Ilha do Mel, onde a iluminação artificial é bem mais escassa à noite.

Nas praias do Sul do Brasil, nesta época do ano, é comum a presença de dinoflagelados, como a espécie Noctiluca scintillans, que produz a bioluminescência e é a mais associada ao fenômeno na região.

Mais luz

Conforme o biólogo Caio Fernandes, “a bioluminescência é uma reação química natural que ocorre com alguns micro organismos marinhos, que usam essa técnica para atrair presas ou afastar predadores”. O plâncton é “aceso” quando ocorre alguma agitação na água – quanto maior, mais forte é a intensidade do brilho.

Normalmente, o movimento das ondas ou até mesmo dos barcos na navegação ajudam a criar os efeitos mais intensos.

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