BrasilCovid-19ParaguaiTríplice Fronteira

Pesquisadores reúnem dados da fronteira e recomendam ações de controle contra a Covid-19

Com a reabertura da Ponte da Amizade, será necessário acompanhar o número de casos nas duas cidades e implementar ações conjuntas de acompanhamento. (Imagem: Unila) 

A abertura da Ponte Internacional da Amizade, depois de quase sete meses com fluxo interrompido, tem preocupado as autoridades de saúde do Brasil e Paraguai. Para auxiliar a tomada de decisões sobre medidas de contenção e prevenção da Covid-19, o Grupo de Trabalho de Projeções da Unila levantou uma série de dados comparativos sobre a evolução de casos nos dois países e elencou algumas recomendações. 

Leia o informe completo aqui.

Para os integrantes do grupo – pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento – é importante que a situação epidemiológica das duas cidades seja avaliada em conjunto para que seja feito o planejamento de atendimento e para que se possa entender o momento da pandemia de Covid-19 de forma mais ampla.

Duas cidades – De acordo com os dados coletados pelo GT, Ciudad del Este, a principal do Departamento de Alto Paraná, tem 4.699 casos confirmados de Covid-19, uma incidência de 1.544 casos por 100 mil habitantes.

Foz do Iguaçu acumula 7.850 casos, com uma incidência de 3.065 casos por 100 mil habitantes. Embora com mais casos da doença, Foz do Iguaçu apresentou menos mortes (117) e menor letalidade (1,5%) que Ciudad del Este, que registrou 184 mortes e letalidade de 3,9%.

De acordo com o levantamento, Ciudad del Este teve o maior número de casos em agosto e vem apresentando redução desde então. Foz do Iguaçu, ao contrário, registrou o menor número de casos em agosto e uma elevação no mês seguinte, permanecendo em um patamar médio de 70 casos por dia. Em setembro, a média diária de novos casos em Ciudad del Este era de 48.

Outubro – A situação em Foz está melhor em outubro, segundo o GT, com média de 48 novos casos por dia, próximo dos dados registrados em agosto, quando houve uma grande queda no número de casos.

“Estes indicadores são positivos, mas as médias diárias ainda estão altas e o número de casos ativos segue superior a 200. Em agosto, tivemos uma grande queda e levamos 20 dias para somar mil casos novos. Agora, estamos nesse mesmo perfil”, comenta a bióloga, professora da Unila e coordenadora do trabalho, Elaine Della Giustina Soares.

Ela explica que, após a queda registrada em agosto, a cidade passou cinco semanas com uma média de 70 a 80 novos casos por dia, entrando em queda novamente no início de outubro. “O número de novos casos está em queda, mas está cedo para falarmos em queda sustentada, porque a média diária ainda é de mais de 40 casos por dia.”

Em relação ao número de novos casos por dia, Ciudad del Este vem registrando números mais baixos em outubro: média diária de 14 casos, sendo apenas 8 na última semana. O número de casos ativos, no entanto, também segue superior a 200.

Enquanto Ciudad del Este está na “bandeira verde”, a situação em Foz do Iguaçu é mais preocupante, uma vez que a cidade está na “bandeira laranja”, com incidência de 10 a 25 novos casos por dia a cada 100 mil habitantes. Isso indica que é necessário atenção e ampliação das restrições, e não a ampliação da flexibilização que tem ocorrido, de acordo com o documento elaborado pelo Grupo de Trabalho.

“Espera-se que, com o aumento do trânsito transfronteiriço, haja uma homogeneização da situação epidemiológica das duas cidades, com tendência para o aumento do número de casos em Cidade do Leste”, alertam os pesquisadores.

O alto índice de resultados positivos em relação aos exames realizados em Foz também preocupa os integrantes do GT. A média diária de exames na última semana foi de 222, com índice de 20% de resultados positivos. 

Recomendações – O estudo conclui que o cenário apresentado mostra que a pandemia de Covid-19 ainda não está controlada e que é preciso que a população “siga atenta para evitar aglomerações, manter o distanciamento social e entender a importância do uso de máscaras como medidas de redução da circulação do vírus”.

O Grupo de Trabalho preparou uma lista de recomendações para auxiliar no processo de reabertura da Ponte da Amizade. 

O Grupo de Trabalho de Projeções da Unila reúne profissionais e pesquisadores das áreas de Saúde Coletiva, Medicina, Epidemiologia, Biologia, Geografia, Física, Comunicação e das Engenharias, que estudam as dinâmicas da Covid-19 levando em consideração a localização e as características populacionais de Foz do Iguaçu, do Oeste do Paraná e da Tríplice Fronteira. O GT faz parte de uma das nove ações institucionais de enfrentamento da Covid-19, promovidas pela Unila com o apoio da comunidade externa.

 Principais pontos para um protocolo de reabertura da Ponte da Amizade 

Comércio: manter os mesmos cuidados tanto no Brasil como no Paraguai: estabelecer um limite máximo de clientes, manter distanciamento de no mínimo 1,5 m entre clientes e lojistas, usar as máscaras corretamente, disponibilizar álcool em gel em abundância para clientes e funcionários, orientar sobre o fluxo interno seguro no interior das lojas;

Aglomerações: os locais críticos onde podem ocorrer aglomeração de pessoas seriam as cabeceiras da ponte. É preciso estabelecer nesses pontos, centros para ações de conscientização e informação, barreiras sanitárias, fornecimento de álcool em gel, eventual distribuição de máscaras, entre outras ações. Hoje a prefeitura de Foz informou que uma unidade de saúde móvel irá operar na Ponte da Amizade à partir de segunda-feira

Orientação: também é recomendado compartilhar a informação para que, caso alguém apresente sintomas, que permaneça em casa e entre em contato com o Plantão Covid. 

Com informações da Unila

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *