Paraná

IAT reabilita filhotes de gambás para soltura no Litoral

Os animais foram acolhidos pelo IAT em setembro e passaram por cuidados veterinários para serem liberados ao habitat natural. (Foto: AEN)

Três filhotes de gambá-de-orelha-branca foram acolhidos no mês passado pelo Escritório Regional do Instituto Água e Terra (IAT) no Litoral. Os filhotes passaram por cuidados veterinários, foram alimentados e preparados para a soltura no meio ambiente, nesta sexta-feira (23). O IAT é um órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (Sedest).

O Instituto recebeu os filhotes dos moradores do Litoral que os encontraram já sem a mãe. Tinham 14 centímetros de comprimento e cada um pesava cerca de 200 gramas. A partir desses dados, de acordo com a bióloga do IAT, Fernanda Felisbino, a idade deles foi estimada entre 11 e 12 semanas de vida na data de acolhimento.

A devolução dos animais ao habitat natural se baseia no Boletim Técnico sobre Cuidados, Reabilitação e Soltura de Gambás da Associação Brasileira de Animais Selvagens (Abravas). De acordo com o documento, estão aptos à reintrodução ao meio ambiente filhotes com, no mínimo, 13 a 14 semanas de vida, com cerca de 18 centímetros e 400 gramas.

Importância – Os gambás, assim como todas as espécies nativas, são importantes reguladores do ecossistema de uma região. Atuam como controladores de pragas e zoonoses – doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos por meio de animais.

Dentro da alimentação dos gambás, estão carrapatos, por exemplo, que são vetores de transmissão do tifo – grupo de doenças infetocontagiosas.

Orientação – Ao encontrar filhotes nessa fase de vida em ambiente natural, é recomendado não tocar nos animais. Não é preciso realizar a captura e o resguardo dos animais, pois eles já são independentes.

Apenas filhotes com menos de 18 centímetros de tamanho corporal, sob risco de vida e órfãos, devem ser encaminhados ao Escritório Regional do Instituto Água e Terra mais próximo.

Como ajudar um filhote de ave que caiu do ninho?

Nesta época do ano, com a entrada da primavera, a maior parte das espécies de aves está na estação reprodutiva e é muito comum alguns filhotes antecipadamente saírem ou até mesmo caírem dos ninhos. Por boa vontade, muitas pessoas, quando encontram o filhote de ave no chão, imediatamente removem o animal do local, porém na maioria dos casos essa não é a melhor ação. Tentativas bem-intencionadas como essa geralmente impedem que esse “órfão” sobreviva ou viva em seu ambiente natural com outros de sua espécie.

Segundo Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves, muitas vezes o filhote é apenas um jovem aventureiro que está dando os primeiros voos para fora do ninho e está no chão porque ainda está aprendendo a voar.

“Primeiro, verifique se a ave é um filhote frágil ou um animal já jovem recém-emplumado, que provavelmente pulou do ninho na primeira tentativa de buscar a independência. Nesse caso, não o leve para longe do local onde o encontrou, pois é ali que os pais irão procurá-lo”, explica Paloma.

Só em 2020, o Parque das Aves recebeu 115 animais resgatados. Desses, quase 15% foram aves encontradas caídas de ninhos. E desses, muitos não estavam necessariamente feridos ou em perigo, e tinham uma grande chance de seguir vivendo com o cuidado dos pais. Paloma reforça que para os animais a criação parental, ou seja, aquela dada pelos próprios pais, é sempre a melhor em diversos sentidos, especificamente comportamentais.

Em caso de chuva ou ventania, muitas vezes o animal também cai acidentalmente. Se os pais estiverem por perto, é sempre melhor que o filhote seja recolocado no ninho ou em locais abrigados para que eles possam seguir com os cuidados.

Quando é necessário fazer o resgate?

Algumas vezes a ave precisa realmente de ajuda, embora isso seja menos comum. Primeiro verifique se o animal está ferido: com sangramento, tremor e/ou asas caídas. Depois, retire-o do chão para não ser atacado por predadores. Quando há animais de estimação no entorno de onde o filhote foi encontrado, por exemplo, o ideal é prendê-los enquanto o resgate ao filhote é feito.

Filhotes de Caturrita. (Foto: Parque das Aves)

Caso fique em dúvida, é melhor não manusear a ave e solicitar ajuda profissional da Polícia Ambiental ou do órgão ambiental da região para efetuar o resgate. Estes são os locais autorizados a realizar este tipo de auxílio e encaminhar o animal para instituições nas quais ele possa receber o tratamento adequado.

O que fazer?

1- Se você encontrar uma ave no chão, procure pelo ninho nas proximidades e tente devolvê-lo a este local ou a um outro local seguro de predadores nas imediações. Toque-o com delicadeza, pois são animais muito frágeis;
2- Observe se os pais voltaram ao ninho. Caso eles voltem, a ave está a salvo e o seu dever foi cumprido;
3- Verifique se o animal não está apenas explorando a região. É normal que esses filhotes mais velhos passem um tempo no chão quando estão aprendendo a voar. Nesse caso, apenas observe a distância para contribuir com sua segurança. Temos certeza que será muito divertido fazer isso. Você aprenderá muito sobre o comportamento das aves;
4- Não leve o filhote para longe nem o solte longe do local onde o encontrou, pois é ali que os pais irão procurá-lo;
5- Afaste potenciais predadores, como cães e gatos;
6- Verifique se o animal está fisicamente ferido, com sangramentos, por exemplo. Nesse caso o ideal é ligar para a Polícia Ambiental ou o órgão ambiental da região para que eles efetuem o resgate e encaminhem o animal para onde ele possa receber o tratamento adequado;
7- Enquanto estiver tomando conta dele, não o alimente e não o manuseie sem necessidade. Quando uma ave está em choque, ela pode se debater e se machucar ainda mais.

Muito cuidado ao tocar o animal. Filhotes de aves de rapina, como gaviões, águias, falcões, entre outros, possuem garras e bicos pontudos que podem machucar.

Com informações da AEN e da Ascom do Parque das Aves

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