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“Critério científico é o único que indica segurança e eficácia vacinal”

Pesquisador de bioengenharia para o desenvolvimento de vacinas da UNILA explica a diferença entre as principais vacinas que estão sendo testadas para a Covid-19. (Foto: Pixabay)

O mundo inteiro aguarda o desenvolvimento de uma ou mais vacinas que sejam capazes de proteger as populações da ameaça da Covid-19. A pandemia causou uma corrida, sem precedentes, pela pesquisa e testagem de uma vacina segura e eficaz. Conforme dados da OMS, são mais de 179 pesquisas em desenvolvimento, com ao menos 44 sendo testadas em humanos e 10 na última fase de avaliação. Mas, diante de tantos estudos, qual a diferença entre as diferentes vacinas propostas? E quais delas podem ser disponibilizadas no sistema de saúde público brasileiro?

Para sanar algumas dessas questões, o Grupo de Trabalho de Projeções da Covid-19 da UNILA publicou, nesta semana, um informe que explica quais as principais candidatas à vacina no Brasil.

O autor principal do documento é o professor Kelvinson Viana, docente do curso de Biotecnologia da UNILA e pesquisador em Bioengenharia para o desenvolvimento de vacinas.

O informe destaca que, entre as vacinas de Covid-19 que estão em fase mais avançada, três merecem uma atenção maior, não somente pela tecnologia empregada, mas também por questões políticas que podem interferir na oferta vacinal para a população brasileira.

Moderna – A vacina da farmacêutica Moderna, caso seja aprovada, será a primeira vacina do mundo a utilizar a tecnologia de material genético viral (RNA). De acordo com o pesquisador Kelvinson Viana, em tempos anteriores, muito foi questionada a utilização dessa estratégia vacinal com uso de material genético, sobretudo em relação às vacinas de DNA. “No entanto, a vacina de RNA tem se demonstrado segura e segue com os testes clínicos de fase 3. Certamente, este será o maior salto tecnológico nesse aspecto que vamos obter neste momento: uma vacina composta de material genético viral, com uma plataforma mais rápida de produção, segura e eficaz”, explica.

AztraZeneca – Já a vacina da empresa AstraZeneca, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, tem apresentado bons resultados e, na avaliação do professor, estará disponível para os brasileiros em alguns meses. “Trata-se de outra tecnologia, o uso dos chamados vetores virais. São vírus que não são capazes de gerar doença nas pessoas, mas que carregam em seu interior a informação genética para que uma proteína do Sars-CoV-2 seja produzida pelo próprio organismo humano. Na prática, nosso corpo é a própria fábrica de produção do estímulo que irá nos proteger do novo coronavírus”, salientou Kelvinson Viana.

Sinovac – A vacina do laboratório Sinovac também segue na fase 3 e é uma das que estão entre os estudos mais adiantados. Kelvinson Viana afirma que é provável que seja a primeira vacina a ser licenciada no Brasil. “Essa vacina possui uma tecnologia muito, muito antiga, que emprega em sua formulação vírus inativado, ou seja, o vírus é degradado com um agente químico e se torna incapaz de gerar a doença em quem a toma. É uma estratégia biotecnológica muito segura”, destacou. O pesquisador lembra, ainda, que o calendário de imunização nacional já conta com outras vacinas produzidas a partir de vírus inativado, como as vacinas da Poliomielite Injetável (VIP), gripe e hepatite A.

Segurança – Independentemente dos resultados e de qual vacina seja adquirida pelos estados brasileiros e pelo SUS, Kelvinson Viana defende que as questões ideológicas devem ser banidas das tratativas. “O critério científico deve ser o único e definitivo que indique a real segurança e eficácia vacinal”, explica.

É importante ressaltar que a vacina mais rápida a chegar ao mercado levou em torno de quatro anos de estudos e experimentação. Mas Viana acredita que as vacinas contra Covid-19 baterão recordes devido à urgência sanitária da doença e à situação de retração econômica que veio junto com a pandemia. 

Leia aqui o informe Corrida das vacinas: principais candidatas à vacina para Covid-19 no Brasil

Com informações da Unila 

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