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“Até logo, Paraná!”: Fernando Parracho e a história dele na TV paranaense

O jornalista Fernando Parracho dá um “até logo” à TV. (Foto: Reprodução/Gazeta do Povo)

A maior parte do pessoal que é do meio da comunicação sempre viu Fernando Parracho como referência. Quem trabalhou como ele e o tem como amigo, sabe que grande pessoa ele é.

E mesmo quando ele fala que não acredita em “unanimidade”, quem conhece o cara… sabe que ela pode existir, sim. 

Parracho deixou a TV e vai se dedicar a um sonho de guri, como ele mesmo disse. E todos os amigos que ele conquistou nessa caminhada, torcem por ele.

Tive a oportunidade de trabalhar com ele na RPC, aqui na Terra das Cataratas, e aprendi muito com  este cara. Por causa disso, resolvi compartilhar com vocês o texto do Reinaldo Bessa, publicado na Gazeta do Povo. 

“Durante oito meses ele foi a voz que dava bom dia aos paranaenses. A fala pausada e o jeito tranquilo e descontraído eram suas características como âncora do telejornal matinal Bom Dia, Paraná.

Bem-quisto pelos colegas e pelo público, Luiz Fernando Severo Parracho, ou simplesmente Fernando Parracho, pegou a todos de surpresa ao anunciar sua despedida das câmeras e microfones no dia 4 de dezembro passado, depois de 30 anos de uma reconhecida carreira como repórter e apresentador de televisão.

A decisão significou uma guinada em sua vida: virar pequeno produtor rural de alimentos orgânicos em uma propriedade que adquiriu em Tijucas do Sul, município da Região Metropolitana de Curitiba com cerca de 15 mil moradores.

Perto dos 60 anos, o âncora de estilo sóbrio resolveu trocar os holofotes do estúdio pela luz natural e por uma rotina bem diferente da que estava acostumado até agora. Terno e gravata talvez nunca mais. Suas mãos estão sedentas por tocar a terra.

A decisão nada teve a ver com aposentadoria. Foi muito bem pensada e veio para atender a um chamamento interior que o fez retomar uma experiência vivida na juventude: estar mais próximo à natureza.

“A partir de agora, vou me dedicar a um projeto pessoal sonhado e desejado por um bom tempo. Vou tentar estar mais perto da natureza, que é também o meu lugar”, postou ele nas redes sociais na véspera de sua derradeira aparição diante das câmeras. Só na Rede Paranaense de Comunicação (RPC) foram 17 anos e 10 meses. Na despedida, ganhou ao vivo uma bela homenagem dos colegas, que o levou às lágrimas no estúdio, e palmas de toda a redação.

Gaúcho de Porto Alegre, com 59 anos recém-completados, Fernando Parracho tem uma trajetória singular no jornalismo televisivo brasileiro, que o levou do Oiapoque ao Chuí – no caso dele, em sentido contrário – em andanças atrás de notícias, personagens e suas histórias.

Aventuras não lhe faltam no currículo, como a de ter sobrevivido à queda de um helicóptero no Monte Roraima, em 1998, quando produzia uma reportagem para o programa Globo Ecologia, como contratado da Globo Rio de Janeiro. A aeronave espatifou-se no pico da montanha, de 2.875 metros de altura, pouco antes de pousar. Dos seis ocupantes – entre eles o ator Danton Mello – um morreu, o cinegrafista Ricardo Cardoso. Parracho fala da experiência com emoção e considera-se renascido.

A veia jornalística o levou à Itália para refazer a rota dos Pracinhas brasileiros em solo europeu, em 2011, e à usina de Chernobil, na Ucrânia, em missão pela RPC. Uma de suas passagens marcantes pela reportagem, da qual se orgulha, foi a matéria de abertura da premiada série Diários Secretos, em 2010, que desnudou o milionário esquema de corrupção no Poder Legislativo paranaense, contemplada com o Prêmio Esso nacional daquele ano.

“Sou Esso por tabela”, fala rindo. Prêmios, aliás, não lhe faltam. A série de matérias especiais para o Jornal Nacional, da qual participou em 2001, sobre as fronteiras do Brasil, deu à TV Globo, pela primeira vez, o Prêmio Rei de Espanha de Jornalismo.

Na RPC, passou por algumas emissoras do grupo até chegar a Curitiba, em 2008. Depois de cinco anos apresentando o telejornal da noite, foi escalado para o “Bom Dia”. Acordava à 2h da manhã para um ritual sagrado antes de seguir para a emissora, onde chegava pontualmente às 4 horas: preparar e tomar seu chimarrão.

Às 6h, estava cumprimentando os paranaenses e dando as primeiras notícias do dia. “Sou muito grato por ter chegado onde cheguei. Tenho plena consciência de que saio com o time ganhando”, diz.

Segundo Parracho, desde o ano passado ele vinha sentindo uma inquietação crescente que o empurrava para uma vida rural. A pandemia e a rotina diária pesada o fizeram repensar as coisas. Estava na hora de dar o último bom dia ao público. Quando jovem, ajudou o pai a cuidar de uma chácara nos arredores de Porto Alegre, na qual produziam alimentos, leite e queijos para vender na cidade. A experiência durou dois anos e logo em seguida, já formado pela PUCRS, o jornalismo o atraiu de vez.

Casou pela primeira vez com 19 anos e aos 21 já era pai. Está no terceiro casamento, que já dura cinco anos. Os quatro filhos são das duas uniões anteriores.

Antes de virar um rosto conhecido da TV, trabalhou em um pequeno jornal gaúcho, em Santana do Livramento, dirigido por seu sogro. “Ali começou minha paixão pelo jornalismo”, conta. Mas foi a experiência com a chácara tocada junto com o pai que mais o marcou, a ponto de fazê-lo demitir-se do emprego numa altura da vida e em um ano complicado como 2020, no qual pouquíssimos se arriscariam a trocar o certo pelo duvidoso. Parracho está convencido de que fez a coisa certa. Ele se diz espiritualista e crê que fechou um ciclo em sua vida para abrir outro.

Na pequena chácara de oito hectares que comprou em Tijucas do Sul, de frente para o Morro Araçatuba, ele pretende, além de produzir alimentos supersaudáveis, montar uma estrutura de ecoturismo. Nada grandioso, apenas para incentivar as pessoas a conviver mais com o meio ambiente.

A propriedade ainda não tem nome, e nem luz. Pelo menos na data desta entrevista. Tudo está por fazer.

“Tem uma boa quantidade de Araucárias e garanto que nenhum galho será tocado”, me diz. Ele espera estar com a mão na massa, ou melhor, na terra, em meados de 2021. E parece ser justamente isso que o anima. Nos últimos meses frequentou cursos relacionados ao negócio e matriculou-se em outro, de agricultura orgânica. Morador de Santa Felicidade, ele pretende se mudar para a chácara e virar bicho do mato de vez quando as coisas estiverem funcionando a pleno vapor por lá.

Mas a nova vida não o tirará do convívio com o jornalismo e com a escrita. Além de poemas, Parracho pretende escrever um livro sobre suas três décadas como jornalista de televisão. Histórias não lhe faltam, com certeza.

E o chimarrão, daqui por diante, será ao raiar do sol sob as flamejantes Araucárias de sua pequena propriedade dando bom dia aos pássaros. Eis aí um homem se reinventando – termo gasto, mas apropriado para ele – e preparando-se para ser feliz de outro modo. Plim-plim.”

Reinaldo Bessa é jornalista, colunista, apresentador e diretor do portal reinaldobessa.com.br

Com informações da Gazeta do Povo

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